Em razão de conflitos teóricos ou de acontecimentos políticos, o interesse pela obra de Marx nunca foi constante e, desde quando se manifestou, viveu momentos indiscutíveis de declínio. Da “crise do marxismo” à dissolução da Segunda Internacional, das discussões sobre os limites da teoria da mais valia às tragédias do comunismo soviético, as críticas às idéias de Marx pareceram, cada vez mais, superar de modo definitivo o seu horizonte conceitual. Porém, sempre houve um “retorno a Marx”.1 Constantemente se desenvolveu uma nova necessidade de voltar à sua obra que, através da crítica à economia política, das formulações sobre a alienação ou das brilhantes páginas dos phamphlet políticos, exerce um fascínio irresistível sobre seguidores e opositores. Não obstante, com o findar do século, tivesse sido decretado por unanimidade o seu esquecimento, inesperado, há alguns anos por essa parte, Marx se reapresentou sobre o palco da história. Na verdade, houve uma real e verdadeira retomada de interesse a seu respeito e, nas estantes de bibliotecas da Europa, Estados Unidos e Japão, os seus escritos têm sido ressuscitados cada vez com maior freqüência... ** Marcello Musto é PhD em Filosofia e Política e pesquisador na Universidade de Nápoles (Itália). Autor de trabalhos sobre Marx em diversas publicações internacionais, é coordenador e co-autor de Sulle tracce di un fantasma. L’opera di Karl Marx tra filologia e filosofia (Roma, Manifestolibri, 2005) e de Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy (London/New York, Routledge, 2008).